O mercado brasileiro de veículos eletrificados vive um dos momentos mais importantes de sua história. Em maio, foram emplacadas 44.981 unidades entre carros de passeio e comerciais leves eletrificados, consolidando uma fase de crescimento acelerado que agora conta com um novo protagonista: a produção nacional.
Quase quatro em cada dez eletrificados vendidos no país já são fabricados ou montados em território brasileiro. Em maio, os modelos produzidos localmente responderam por 39% dos emplacamentos do segmento. Um ano antes, essa participação era de apenas 6%. O avanço evidencia a mudança no perfil do mercado e o impacto dos investimentos realizados pelas montadoras no país.
Entre as empresas que vêm liderando esse movimento estão a BYD, com fábrica em Camaçari (BA), a GWM, em Iracemápolis (SP), a General Motors, em Horizonte (CE), a BMW, em Araquari (SC), a Toyota, em Sorocaba (SP), além da brasileira Hitech, fabricante de veículos comerciais leves instalada em Campo Largo (PR).

Ao mesmo tempo em que aumenta a produção nacional, os importados perdem espaço proporcionalmente. Em maio de 2025, eles representavam 94% dos eletrificados vendidos no Brasil. Em maio deste ano, a participação caiu para 61%.
O avanço da eletrificação também produz efeitos em diversos setores da economia. O crescimento das vendas estimula investimentos em infraestrutura de recarga, produção de baterias, ampliação da rede elétrica e desenvolvimento tecnológico. Além disso, contribui para a expansão dos ônibus elétricos, da micromobilidade e para a renovação da indústria nacional de autopeças.

Participação cresce no mercado brasileiro
A evolução dos eletrificados também aparece na participação total do segmento dentro do mercado de automóveis e comerciais leves. Em maio, os veículos eletrificados responderam por 17% das vendas totais do país, sem considerar os micro-híbridos (MHEV).
O resultado confirma uma mudança no comportamento do consumidor brasileiro. No mesmo mês de 2025, a participação era de 7,8%, menos da metade do índice atual.
Outro indicador importante é a ampliação da oferta de produtos. Em maio do ano passado, o mercado contava com 174 modelos eletrificados disponíveis. Apenas cinco eram fabricados ou montados no Brasil.
Agora, a oferta chegou a 229 modelos. Desse total, 21 já são produzidos nacionalmente, enquanto 208 continuam sendo importados. Embora a participação dos modelos nacionais ainda represente 9% da oferta total, o crescimento demonstra a rápida evolução da indústria local.
Elétricos e híbridos plug-in lideram vendas
Os modelos com recarga externa continuam sendo a principal força do segmento. Em maio, os veículos elétricos a bateria (BEV) e os híbridos plug-in (PHEV) somaram 36.795 unidades, equivalentes a 82% dos eletrificados vendidos no país.
Os BEV, totalmente elétricos, lideraram o mercado com 20.974 emplacamentos, correspondendo a 47% do total mensal. O volume representa alta de 20% sobre abril e crescimento expressivo de 198% na comparação com maio de 2025.

Segundo a ABVE (Associação Brasileira do Veículo Elétrico), um dos fatores que podem ter contribuído para esse avanço é a maior previsibilidade regulatória para instalação de pontos de recarga em edifícios. Nos últimos meses, diversos corpos de bombeiros estaduais, especialmente em São Paulo, divulgaram normas específicas para esse tipo de infraestrutura.
Já os híbridos plug-in alcançaram 15.821 unidades em maio. O resultado representa crescimento de 20% sobre abril e de 109% em relação ao mesmo período do ano passado.
Híbridos convencionais mantêm expansão
Os híbridos sem recarga externa também seguem em trajetória positiva. Os modelos HEV e HEV Flex totalizaram 8.186 unidades em maio, o equivalente a 18% do mercado de eletrificados.
Os híbridos convencionais (HEV) registraram 4.273 emplacamentos, alta de 15% frente a abril e crescimento de 278,5% na comparação anual.
Já os HEV Flex alcançaram 3.913 unidades. Apesar da leve retração de 4,5% sobre abril, o resultado ainda representa expansão de 307% em relação a maio de 2025.
No segmento dos micro-híbridos, que não são considerados eletrificados pela metodologia atual da ABVE por não possuírem tração elétrica, foram registradas 6.615 vendas em maio. O crescimento foi de 34,6% sobre abril e de 17% na comparação anual.
Os modelos MHEV de 48V responderam por cerca de 60% desse volume, enquanto os sistemas de 12V ficaram com aproximadamente 40% das vendas.

Com produção nacional em expansão, maior variedade de modelos e crescimento consistente da demanda, o mercado brasileiro de eletrificados avança para uma nova fase de maturidade e consolidação.


